Seguidores

2011/10/17

A c o r d a n d o

            "Acordando"   




                         



Hoje eu acordei meio assim
Recordando do passado
Os passos meus que
Já não tem mais fim


Andei por vales pedregosos
Corri na matilha dos ferozes
Alguns cheios de amor...
Outros de vida e na vida furiosos.


Deitei meus sonhos em carpetes ilusórios
Cada dia da minha agenda faz detalhes compulsórios
Por que o sorriso vale bem mais
Que a soma infeliz dos cartórios.


Hoje eu acordei com sorriso largo
Uma lágrima molhada e a lembrança
Do que seria para o soldado em plena guerra
A saudade ao olhar a foto da distante namorada.


Eu quero os pulmões cheios de vida
Quero a mulher e o casal grávidos de amor
Quero a agenda do pintor justa com o doutor.
Quero a saudade bem guardada aonde resta uma flor.


Hoje eu acordei distante
Lembrei de gotas em meio à face
Dias que pra ser feliz me fiz infante
Enfartando o lado bom que vivia em mim.


Hoje eu quero os passos alegres das crianças
Quero o leão dormindo com o cordeiro
Pode ser apenas um sonho
Mas é isso que nos faz mais brasileiro.


Eu quero a violência distante do Rio de Janeiro.
Um domingo sem tiros e uma flor a todo estrangeiro
Eu sou dos que amam em dias de chuva
Quero feliz o órfão e a viúva


Por que hoje eu acordei mais humano
Mas nem um pouco menos verdadeiro
Às vezes tenho ciúmes do dinheiro
Que leva a vida lavando muitas vezes o amigo e companheiro.


Eu acordei com estimas dos velórios
Com acordes de eutanásia na alma da hipocrisia
Sonho com todos em paz e a paz da pátria convertida
Quando em quando eu acordo e tenho saudades da própria vida


Eu sou aquela voz mais escondida
Quando os homens fazem suas camas
Nas esperanças mais tímidas
Quase uma sentença e uma vítima.


É que hoje eu acordei compartilhando
O pão que a ceia deixa na mesa
E a mesa dos que sentem saudade da comida


Eu ainda não sou a mentira
Por que as coisas passam
E o tempo ensina como esquecer a ferida
Quando esta ainda esta em nossa casa e guarida.


Hoje eu acordei com lágrimas escondidas
Com rosto molhado e corpo suado
Amando os meus inimigos e abraçando
Os que comigo vão e os que se foram doce lida.


Estou às margens da avenida
Quando acordando olhando tudo e todos
Mas nunca me esquecendo do tear
Que faz os sonhos dos homens acordarem


Pra entenderem suas próprias feridas
Eu sou ainda a minha própria armadilha
Pois hoje acordei com sonhos
E com nada mais que seja engano, torpor e mentira.


Acordo hoje e amanhã outra vez
Pelos homens que são plebeus
E pelos reis que nos ensinam
Como são hilários seus lados morfeus.


Hoje eu acordo
Mas amanhã...




É sua vez!






Czar D’alma



Postar um comentário