2021/11/16

Acarinhar-me – Czar D’alma.

Acarinhar-me – Czar D’alma. 

 



Acarinhar-me.



Hoje eu vou deitar minha beleza

Nos braços de Omin e flutuar

Quando nos rios lhe encontrar

Sorrindo ao som do tempo lhe beijar.

 



Você ouve meu grito não se deixa dominar.

Mesmo quando calado em frio




O desejo de contigo poder acordar.

Ainda que nada mais faça sentido.

 



Hoje eu preciso me abraçar

Por que tu te foras sem me dizer

O quão fria fica a água que me banha

Quando não consigo lhe amar.

 



Os dias enganam a ilusão

Ou acordam nossas sensações

Quando tu passas eu ouço uma canção



 Nesta noite eu preciso me acarinhar.

Não restaram lágrimas de nosso ifá.




Agora mesmo distante desejo lhe abraçar

Pra que tu sejas meu candelabro a iluminar.

 



Quando o dia chegar

Olhando os montes




Em teus braços poder sorrir

Sonhar e poder descansar.

 



Por que tudo se passou

Sequer dissemos adeus




Dissemos apenas, não deu.

Nessa estória não cabe outro Orfeu.

 



Deitando as lágrimas na escuridão

A gente delira com o momento




Que éramos um só corpo sem espaço ou tempo...

Aquecendo a pele dada na delícia da paixão.




 Mas agora que a noite chegou

Tudo era lindo e nada aqui ficou



Senão a vontade de me abraçar

Pra entender o banzo da sua sombra a passar.




Deixa-me contar minha última estória

Com um enredo onde tudo é diferente...



Onde os sonhos não fogem nem mentem.

Mas a vida continua sendo nossa memória.




 Esse desejo de abraçar 



quem aqui não está.



Acarinhar-me - Czar D'alma.

2021/11/03

Vejo o vento – Czar D’alma.

Vejo o vento – Czar D’alma

 




Vejo o vento. 



Eu vejo o vento...

Abrir as portas dos mares

Assombrar cada medo

Deixado à beira dos altares.




 Eu vi o vento cantar

A melodia mais linda e triste

Um abraço que eu dei...

Que nunca hei de ganhar.


 

O tempo ri, o tempo chora.

Mas me tira desse frio

Diga coisas quentes

E no inverno me namora.




 Em tempo em tempo

O tempo rege e retorna o ciclo

Que deixamos quando nos deixamos

A gente era um barco sem rota ou plano.

 



Mas um dia o tempo volta

Enquanto todo mundo que é assim.

A frieza nos lábios de quem esquece

O amor que jamais notou que não aquece.


 


Eu vi o vento passar

Levar a culpa da rua

Que seu desejo louco

Ousado insistiu em passar...

 



Deixando roupas frias

Corpos quentes

Loucuras da pele

Que enxagua a coisa ardente

Deixando as roupas nuas

Colando o corpo no copo da boca

Pondo a boca no aeroporto

Que decola a minha sóbria loucura.

As coisas que ficaram pra trás

Atrás das palavras que caladas

Mentiam muito mais...

Dizendo o verso da saudade,

Declarando poemas em páginas abertas

Em meio aos teus seios

Perdidos os delírios por devaneios

Onde o vento faz a curva, desce e aquece.

A boca ainda suja do amor que não lhe pertence.

 



Mas ainda nos amamos.

Por que teu sorriso passou por mim

Mentindo os dentes que teu corpo logrou

Pousando em meus braços uma dor...

Onde eu detinha a sede

Mas não mantinha o cansaço.

Do berimbau o cabaço

Da língua à epiderme

Esse órgão tão imenso

Mas que não encheu algo dentro da gente.

 



Então o vento pegou a mala

Vestiu-se de versos e rosas e voou

Agora eu acordo comigo...

Onde meu umbigo me estende 




a mão.

 


Vejo o vento – Czar D’alma.

 

2021/10/24

“Nossa Cama” - Czar D'alma. (livro - Reverso da Saudade)

Parte do livro, Reverso da Saudade, de Czar D'alma. Segue.:




*
*“Nossa Cama” - Czar D'alma.
*
*
Te amei até o último suspiro
que dei quando você se foi
*
te amei até quando era dor
a flor que tu mesmo negou
*
te amei em dias frios
te amei em prantos e risos
*
te amei nos dias de sol, de chuva..
te amei quando solteira ou viúva.
*
Te amei no divã
te amei como uma irmã
*
te amei nos sábados e feriados
te amei como quem acorda embriagado.
*
Te amei nas flores e duras palavras
te amei quando comia as outras escravas.
*
*
Te saciei quando era menino
te destilei o melhor do vinho
*
te amei por quase meio século
te amei quando tu era apenas resto.
*
Te amei calada, te amei gritando
só não lhe amei quando sorrindo
disse que eu era do mito quase tudo
menos um amor, e sim outro engano.
*
Mas eu lavei suas roupas, passei suas trouxas
fiquei calada mesmo quando da rua voltava
teu cheiro de mulher nas vestes íntimas exalava
teu jeito de me deixar menor que a vida a ti devotada.
*
*
Calei meus lábios
meu corpo gritou!
quando senti que eu era mais
do que pele, vagina e odor
*
eu sou mais que alguém
eu vou muito além.
*
Do altar nem véu me deste
mas hoje estou aqui e você
ainda pensa em minhas curvas
como oração, reza ou prece.
*
E hoje no barracão vou deitar, suar, gemer e destilar
de todo meu corpo o corpo que me penetrou...
saber que, meu amor de verdade chegou
quase sem grana, mas com verdade nos olhos
*
e uma sede insaciável de mim
e de nossa cama.
*





“Nossa Cama” - Czar D'alma.
.*

Gratidão imensa! Obrigado, bjs e carpe diem!

2021/10/23

Deus de cartas de amor.

Deus de cartas de amor - Czar D'alma.




Deus de cartas de amor.


 

Deus me escreva cartas para eu ler

Faça meu coração abrir e arder.

Como uma seara sedenta

Feito Moisés a perceber.

 



Oh digníssimo meu Pai Eterno

Seja epístola, salmos ou provérbios.

Faça-me letras e palavras...

Vem suave na carne e verbo.

 



Deus vem e deixa-me lhe ter

Em mim onde meu coração

De ti possa jamais se perder.

 



Demoram-se as nações pela paz

Mas minha alma olha por tudo...

Ver afegãos arderem em lágrimas

Percebo-me tão pobre e incapaz.

 



Eu vejo o poder e os podres dos homens

Querendo tudo reter, aumentar a fome.

O sol chega a nascer tua graça me consome.

Tenho dias de frio e a injustiça tem endereço e nome.

 



Mas eu tenho amigos e anjos ao lado

Pessoas que leem o meu verso atravessado.

Chego a pensar nas mãos comigo

Mas preciso dar mais de mim por todos os lados.




 Eu creio na paz, nas aguas e num dia melhor.

Eu sou um romântico e por isso seria pior?

Eu ando com os braços procurando o Senhor.

Entro nos becos e os esfomeados me ensinam a dor.




 Vem e me diga quanto vale uma vida.

Tu tens todas em tuas mãos...

Umas rebeldes outras colisões.

Às vezes quero amor e me doam ferrões.

 



Mesmo assim espero tuas cartas

Leio seus apóstolos e outros beberrões.

Em tudo e todo eu vejo o teu amor

E por pior que sejamos eu vejo o teu perdão.

 



Tu me amas e o galo não canta.

Espero por graça que todo dia me abraça

Quando em quando olho para as montanhas

E ali eu percebo o quando tu estás acima de nossas aberrações.

 



Uns dias são lágrimas, outros umas gargalhadas.

Mas jamais pensei que a vida fosse tão simples...




Como o sorriso das crianças

Como o beijo da mulher

Como a flor que abre e morre

Como quem sabe que nada é.

Como as horas passam

Como as dores que se mesclam

Como as faces quando mentem

Como a vida é linda

E quase engraçada.




Talvez eu seja apenas um romântico

E essa graça é minha riqueza e 




o que me basta!



Deus de cartas de amor - Czar D'alma


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2021/10/19

Seu sorriso vem – Czar D’alma.

 Seu sorriso vem – Czar D’alma.

 



Seu sorriso vem.

 



Um sorriso dessa menina

Como no espaço a terra é azul.




Pinto meu mundo nas cores da paz

Encontro-me nas sombras da razão.

 


Às vezes buscamos paz

Por que mudaram a voz.




Ainda que a língua em tudo nada cala.

As orelhas escolhem nossas falhas.

 


Perdi um futuro inteiro

Por tentar me perdoar



A quem não entende meu refrão.

Sou tomado como ermo estreito.

 


Pode ser que tudo seja melhor

Nos beijos entre os sorrisos teus




Nas montanhas, ondas, orações e afoxés.

Como nas flores do escapulário das rezas dos fiéis.

 


Em cada justiça eu sou o anormal

E no mundo inteiro eu sou um desigual




Por que quando a boca fala o coração desagua

Pra que o mundo seja paz, onda e coisa legal.

 


Teu sorriso vem buscar de mim

O que de mim tudo é tão feroz.




Mesmo assim tu me educas em tom abissal

Assim adocicado permanece meu animal.

 


Se a flor comesse risos

Se os risos dormissem menos




No inverno seríamos um

E o mundo, menos pequeno.

 



Então para poder adormecer

Teu sorriso em minha mente vem nascer.



O mundo continua azul fora do planeta

Mas em cada hora parece 



rubro um ódio a varrer.

 



Seu sorriso vem – Czar D’alma.

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